Flávio Lúcio.
Flávio Lúcio perdeu parte dos braços num choque de alta tensão, na empresa onde trabalhava.
Inserida em (01/03/2007)
Repórter: Glauce Tiago
Foto: Arquivo pessoal
Hoje, depois de ter superado muitos obstáculos, é palestrante e alerta muitas pessoas que correm riscos como os que ele sofreu. Flávio tem 38 anos, é casado e pai de um lindo menino chamado Vinícius. Além disso, é conselheiro da ADEFIL - Associação de Deficientes Físicos de Londrina. Ao longo dessa entrevista Flávio nos conta sua história.
Qual foi o sentimento que você teve ao perceber que não tinha mais uma parte do corpo?
Eu tinha 29 anos e senti que tinha perdido a vida. Embora com coração e cérebro funcionando, sem as mãos não podemos pegar nada. Nem mesmo fazer o básico para sobreviver. Se não for pelas mãos de outras pessoas morremos de fome, quem dera das demais necessidades. Hoje como uso uma prótese de mão myoelétrica, que mexe dedos, posso fazer muita coisa sozinho. Por exemplo, digitar no computador, escovar os dentes com uma escova elétrica, beber água e etc.
Hoje você utiliza uma mão artificial. Qual é a sensação?
A primeira sensação é que com ela os outros me olham diferente. Assim eu tenho mais respeito e consideração. Sinto que os outros me vêem como uma pessoa comum. Já quando tiro a prótese parece que fico ainda mais estranho. Parecendo um ET. Até eu me vejo diferente, um pouco mais completo, quando uso a prótese. Parece que esteticamente fico melhor e tenho a sensação de que estou com minha mão de volta. Por isso, vale a pena usar prótese e superar todas as dores e desafios existentes. Nós ficamos com a nossa auto-estima valorizada e convivemos melhor com quem nos rodeia. Aconselho às pessoas que precisem de prótese, a procurarem um bom profissional.
Nós sabemos que é difícil voltar à vida normal depois de um acidente como o seu. O que você conseguiu resgatar da sua vida antes disso?
Segui atrás do tempo perdido. Fiquei um ano e meio fazendo fisioterapia e hidroterapia para destravar músculos. Hoje trabalho com internet. Já fiz vários cursos do SEBRAE e algumas aulas de web designer. Ao longo desse período tive que superar vários momentos em que os olhares e a reação de espanto das pessoas era inevitável.
Depois que você perdeu os braços você sentiu alguma forma de preconceito da sociedade?
Alguns conhecidos nem quiseram me ver. Acho que não suportariam me ver assim. Outros desviavam o olhar para que eu não pedisse nada. Outros olhavam tanto que nem disfarçavam. Alguns perguntam e querem saber de tudo. Então, tem quem tenha preconceito e quem tenha compaixão. Conseguir emprego não foi fácil. Mesmo com a mão tenho dificuldade de fazer a maioria das coisas. Com a lei de cotas fica mais fácil ser empregado, mas tudo depende da deficiência da pessoa. Hoje tenho muitos amigos. Alguns se afastaram após o acidente, mas apareceram muito outros.
Qual foi o maior obstáculo que você enfrentou?
Com certeza foram momentos no hospital fazendo várias cirurgias para deixar coto preparado para colocação da prótese.
Como é sua relação com a sua família?
A relação familiar foi muito difícil. Meus pais não aceitavam e meu irmão tentou se matar alegando não aceitar situação, mas com tempo tudo foi superado e todos me amam de paixão.
Qual foi a emoção de se casar e ser pai depois do acidente?
Me casei após dois anos do acidente foi uma emoção muito grande. Ser pai de um menino maravilhoso, o Vinicius me fez crescer cada vez mais tomar coragem e assumir carreira de palestrante. Hoje dou palestras de Perigo de Alta Tensão na área de segurança do trabalho e superação. Fico muito feliz com resultado. É um trabalho excelente e a procura é muito grande. Ao contar toda historia ao vivo já vi pessoas que até já caíram da cadeira. Mas faço com muito prazer. Alertar as pessoas do perigo é valorizar muito mais a Vida.
Como surgiu a idéia de criar o site “Amputados Vencedores”?
Quando comecei e entender o que era internet comecei a pesquisar sobre o assunto. Senti uma enorme dificuldade de encontrar algo sobre a minha deficiência. Então, paguei aulas particulares de web e comecei e construir um primeiro site. As idéias foram surgindo no MSN e nos e-mails. Hoje o site chegou a 83.000 mil visitas e recebe 170.000 mil hits por mês. Os hits são cliques dados dentro do site. Estamos a procura de parceiros para continuar nesta luta. Tenho uma comunidade do orkut onde tiro dúvidas das pessoas. Tanto o site quanto à comunidade do orkut crescem cada dia mais.
Você acredita em Deus?
Sempre digo, uma pessoa tem que ter muita fé. Sem ela não somos nada. Deixo aqui uma mensagem para todos: Vencendo Barreiras e Superando Limites. Agradeço esse grupo maravilhoso Porta de acesso e antiga Lista vital por me fazer crescer cada vez mais.
A coluna Nossa Gente é uma publicação Porta de Acesso.
Coordenação: Mirela Goi.
Jornalista responsável: Glauce Tiago - MTB:
Edição: Glauce Tiago.
Webmaster: Gil Porta.
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