UMA LIÇÃO DE CIDADANIA
Amanhã, 21 de setembro, é o Dia Nacional do Portador de Deficiência Física. São 15 milhões de brasileiros que todos os dias enfrentam dificuldades para se locomover pelas cidades, para encontrar trabalho. Mas de Brasília vem o bom exemplo: um posto de gasolina contrata apenas funcionários que tenham alguma deficiência. Eles ensinam que precisam apenas de uma oportunidade para mostrar competência.
Pela primeira vez, Fábio está trabalhando. Ele é frentista em um posto, campeão de vendas. Desde os 13 anos tentava um emprego, mas só conseguiu aos 23. O que normalmente dificulta a entrada no mercado de trabalho nesse posto é a principal condição para ser contratado. Todos os funcionários do lugar têm algum tipo de deficiência.
Rafael teve parte da perna esquerda amputada. Junior é surdo-mudo. Demerval, o gerente do posto, tem uma das pernas atrofiada. Respeitando as limitações de cada um, ele coordena o trabalho.
“No começo é mais escrito. Depois vai gesticulando e vai ensinando. Dá para se comunicar legal agora” – explicou Demerval.
Em um ambiente todo adaptado para eles, o clima é descontraído. Agrada aos clientes que a princípio são atraídos pela curiosidade.
Colecionador de carros antigos, Luís Filipe Gonçalves é cliente fiel. “Eu passei a abastecer os carros aqui porque entendo que é uma maneira de manter as pessoas deficientes trabalhando” – justificou.
Como em um time de futebol, são 11. Para vencer as dificuldades, trabalham unidos. “Se um não escuta, o outro é a escuta. Se um não tem movimento nas pernas, o outro já tem. Cada um tem um pedaço do outro. Um completa o outro” – esclareceu o frentista José Luiz Lopes.
A recompensa está escancarada no rosto, no sorriso rasgado. “Eu e os demais colegas mostramos que só precisamos de oportunidade, mas nunca de dó e de pena” – disse o frentista Pablo da Paz Barros.
Jornal Hoje - TV Globo, 20 de setembro de 2003.
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