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Técnica brasileira de utilização de células-tronco é bem sucedida.

Jornal da Ciência, de 21 de Julho de 2004.

Pacientes cardíacos tratados com células-tronco retiradas de suas próprias medulas saíram da fila de transplante.

Luís Henrique Amorim escreve para o ‘JC e-mail’:

Nesta terça-feira, na UFMT, a pesquisadora Rosalia Mendez-Otero, da UFRJ, proferiu a conferência ‘O uso de células-tronco em terapias celulares’.

Rosalia começou explicando que as células-tronco são vistas como promissores tratamentos para doenças crônicas degenerativas e lesões traumáticas por poderem se transformar em diferentes células de diversos tecidos e por se replicarem com velocidade.

Mas ela frisou que as células-tronco dividem-se em embrionárias e adultas. ‘As embrionárias são mais polivalentes em relação aos poderes de transformação e de capacidade de divisão. Há células-tronco em todos os tecidos, inclusive no nervoso e cardíaco, mas elas não são tão boas e suficientes para a regeneração.’

Apesar da maior plasticidade, no momento, as pesquisas com células-tronco embrionárias ainda não avançaram o suficiente para garantir a segurança em tratamentos com humanos. ‘Mesmo depois de estimuladas em laboratório para se transformarem em determinados tipos de células, as embrionárias acabam formando teratomas, tumores com tecidos de diversas partes do corpo’.

O desafio de ‘domar’ as células-tronco embrionárias é hoje um dos campos mais promissores na área biomédica, mas o Brasil – se o projeto de Lei de Biossegurança for aprovado no Senado como está – corre o risco de ficar de fora do jogo.

A lei – que mistura organismos geneticamente modificados com clonagem - proíbe a utilização dos embriões descartados das clínicas de fertilização para a retirada das células-tronco.

Como o uso de células-tronco embrionárias ainda não é seguro, o uso em humanos com terapias celulares limita-se às células-tronco adultas, como as retiradas da medula óssea. ‘Estas células tem grande plasticidade. Podem inclusive se diferenciar em tecidos como o do coração e do cérebro.’

Foi isso que provou uma pesquisa da UFRJ em conjunto com o Pró-Cardíaco, hospital do RJ. ‘Como a pesquisa foi feita há um ano e meio, já há muitos resultados. A terapia foi feita com 20 pessoas e houve significativa melhora na qualidade de vida dos pacientes. Mesmo sendo muito debilitados inicialmente, muitos retomaram suas atividades cotidianas e saíram das filas de transplante.’

Segundo ela, os pesquisadores vão agora aplicar a terapia em um grupo maior de pacientes.

As pesquisas em relação ao tecido nervoso também são promissoras. ‘Na USP, um grupo aplicou uma terapia celular com células-tronco em 30 pacientes com lesão traumática na medula espinhal.

Os primeiros resultados parecem bons, mas ainda é necessário mais tempo para se ter certeza. Também está sendo aplicada uma terapia na USP de Ribeirão Preto com 20 pacientes com esclerose múltipla que não respondem ao tratamento normal com drogas imunossupressoras.’

Fonte: Jornal da Ciência