Pesquisas com células-tronco surpreendem médicos
Sexta-Feira , 11 de Novembro de 2005
Já se sabe que elas podem regenerar tecidos, mas até agora é um mistério como isso realmente acontece.
Em Porto Alegre, pesquisadores de todo o Brasil estão reunidos para trocar experiências sobre os avanços dos estudos sobre células-tronco. Não são apenas as patinhas que brilham: todas as células dos camundongos são fosforescentes: propriedade obtida através da manipulação genética.
Os animais servem como doadores de células-tronco para cobaias que têm epilepsia. Depois do transplante, o brilho mostra onde foram parar as células luminosas dos doadores. Exatamente sobre as lesões do cérebro doente. O tratamento diminuiu em até 60% as crises de epilepsia dos animais. "A gente está vendo o resultado clínico, mas não sabe quase nada do que acontece com a célula e com a parte básica e toda a fisiologia dessa célula”, explica a bióloga Denise Cantarelli Machado.
Buscar caminhos para resolver esse mistério é um dos objetivos dos médicos reunidos no primeiro Congresso Brasileiro de Células-tronco, em Porto Alegre, onde a pesquisa sobre epilepsia está sendo apresentada. As células-tronco são uma espécie de coringa. Injetadas no organismo, elas migram até o órgão doente e ajudam na recuperação das lesões. "A epilepsia atinge um em cada mil brasileiros e 30% dos doentes não apresentam melhora com o uso de remédios. Para esses pacientes, os pesquisadores esperam que o transplante de células tronco tragam bons resultados, como os que já são observados no tratamento de doenças cardíacas.
Já se sabe que é eficaz para tratar a obstrução de artérias, mas o programa nacional de terapia celular quer a comprovação dos benefícios para esta e outras três doenças graves do coração. Os efeitos das células-tronco em 1.200 pacientes serão monitorados até 2008. No final, os 35 hospitais envolvidos na pesquisa vão estar qualificados para realizar o transplante. "Se a eficácia for comprovada da maneira como a gente vem fazendo atualmente eu te diria que a incorporação ao sistema de saúde é muito rápida. É questão de meses", disse Antônio Carlos Carvalho, coordenador do Instituto Nacional Terapia.
Ângela participa de um novo tratamento, que usa células-tronco para reverter as seqüelas de um derrame cerebral. "O braço não levantava direito." A pesquisa ainda está em andamento, mas ela, em poucas semanas Ângela notou a diferença. "Não mexia nada, agora estou bem."
Fonte: http://jornalhoje.globo.com/JHoje/0,19125,VJS0-3076-20051111-121403,00.html
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