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SP faz 1.º transplante com célula umbilical.

Cordão umbilical de doador brasileiro é usado pela 1.ª vez em transplante de medula óssea.

Gabriela Sandoval escreve para ‘O Estado de SP’:

A esperança de uma menina de 9 anos do interior de SP, que aos 3 desenvolveu leucemia linfóide aguda, renasceu ontem com um transplante que pode salvar não só sua vida, mas também a de mais de 3 mil pacientes brasileiros que a cada ano esperam por um doador compatível.

Ontem, na cidade de Jaú, a criança passou pelo primeiro transplante de medula óssea (TMO) do país a partir do sangue do cordão umbilical de um doador brasileiro. Isso tornou-se possível há menos de um mês, quando a busca por amostras de sangue em bancos do exterior deixou de ser a única alternativa.

A compatibilidade tão esperada foi descoberta há duas semanas entre os 700 cordões armazenados no Banco de Cordão Umbilical do Instituto Nacional de Câncer (Inca) - a primeira unidade pública no Brasil e um dos bancos que compõem a rede de Bancos de Sangue de Cordão Umbilical e Placentário (Brasilcord), criada no dia 24 de setembro pelo Ministério da Saúde.

O oncologista pediátrico Marcos Augusto Mauad, do Hospital Amaral Carvalho, onde a menina está internada, diz que seu estado de saúde é bom, mas que os resultados do transplante, cujo índice de fracasso é de 20%, só poderão ser analisados daqui a um mês.

‘É um procedimento de alto risco, mas esperamos que a célula-tronco refaça uma nova população sanguínea’, explica.

É nessa porcentagem que a mãe da menina se apega - seu nome e o da filha foram preservados a pedido da família e do médico. Bancária e mãe de duas filhas, sua primeira frase foi: ‘Consegui o cordão e foi um sucesso!’

Sua esperança já havia sido interrompida por três vezes, quando ela foi surpreendida pela volta da doença após os tratamentos, como ocorreu há cerca de quatro meses. Mas a família, mesmo contagiada pela falta de perspectivas, apegou-se a todas as possibilidades. E o que parecia quase impossível aconteceu. ‘Agora não tenho como agradecer. Minha filha teve muita sorte e eu e meu marido estamos muito felizes, esperançosos’, diz.

Ela pede que as mães doem o cordão umbilical de seus filhos não pensando só neles, que talvez nunca precisem, mas nas outras crianças que estão à espera de uma chance. ‘Se não existisse este cordão minha filha teria poucas chances e este dia não seria tão bom como foi.’

Rede brasileira - O oncologista Mauad defende a existência de um banco de cordões no Brasil e diz que as chances aumentam na medida em que o país é muito miscigenado, o que é determinante para o fator compatibilidade. ‘Temos capacidade de fazer um programa de sucesso. O investimento feito pelo governo vem trazendo avanços rápidos.’

O Ministério da Saúde, que investirá R$ 18 milhões até 2006 para instituir dez bancos públicos de sangue de cordão umbilical e placentário no país, explica eles garantirão a representatividade de 100% das diversidades biogenéticas dos brasileiros. Isso implica, segundo ministério, que quase todos os pacientes poderão encontrar no Brasil doadores compatíveis para a realização do transplante de medula óssea.

Além de aumentar de 35% para 90% a probabilidade de encontrar um doador compatível, investimento vai reduzir custos. Para a busca e obtenção de células de cordão umbilical no exterior, gasta-se em média US$ 23 mil por cordão. Com a instituição da rede no Brasil, o custo seria reduzido para US$ 2 mil no primeiro ano de funcionamento.

(O Estado de SP, 9/10/04)

Fonte: Jornal da Ciência