Expectativa ao tratamento com células-tronco pode ser prejudicial
08/06/2005 - 12:29
Aspectos psicológicos do tratamento com células-tronco devem ser considerados para melhorar condições de recuperação do paciente
SÃO PAULO - “A esperança de recuperação dos movimentos de vítimas de lesões na medula, através da injeção de células-tronco, pode criar motivações e expectativas importantes, mas pode comprometer seu equilíbrio emocional”, alerta a psicóloga Monica Giacomini Guedes da Silva, da organização do V Congresso da Sociedade Brasileira de Psicologia Hospitalar.
Se as expectativas forem superestimadas, quanto à recuperação dos movimentos, ou do tempo de melhora, podem levar o paciente a frustrações e à descrença, desencadeando um sério quadro depressivo. A esperança pode ser um problema se for o único investimento emocional da pessoa porque, enquanto o tratamento não ocorre, ela fica paralisada.
Uma das condições mínimas para que continue vivendo com suas limitações é a busca de recursos emocionais que dêem significado à sua existência com qualidade de vida. A esperança é um fator mobilizador, que permite ver com clareza às reais possibilidades do tratamento, e ajuda o paciente a administrar a espera e sua condição atual.
Viver uma condição limitante pode gerar angústia, raiva, culpa, desespero e impotência. A esperança melhora a adaptação da pessoa a esses sentimentos por visualizar no futuro alguma alternativa e incentivar a luta. Porém, os sentimentos de angústia e esperança se chocam. A pessoa acredita e desacredita, ao mesmo tempo, em uma possibilidade de retorno à condição anterior, o que a deixa confusa.
O psicólogo hospitalar ajuda esses pacientes a buscar recursos emocionais internos para administrar essa vivência. Também acolhe a dor, a angústia e a impotência, permitindo um espaço de escuta e aceitação. O psicólogo trabalha as impossibilidades e frustrações do indivíduo em relação às suas limitações físicas, psíquicas e sociais, ajudando-o a administrar minimamente as emoções decorrentes dessa experiência, o que pode mobilizar a busca de alternativas.
A psicóloga Mônica Giacomini explica que a reação de uma pessoa, após um tratamento inovador, depende de suas expectativas anteriores e do ganho posterior. As reações são únicas e individuais, e estão ligadas à forma como o indivíduo lida com sua deficiência, com sua capacidade em elaborar os sentimentos despertados pelo trauma e com a esperança investida no procedimento.
No caso de fracasso, dependendo do nível de frustração, o paciente pode ter sua reabilitação comprometida pela descrença. Risco que a pessoa tem o direito de correr, pois é sua única chance de acreditar que sua condição, um dia, pode mudar.
Este tema será debatido no V Congresso da Sociedade Brasileira de Psicologia Hospitalar, realizado entre 7 e 10 de Setembro de 2005, no Pestana Hotel (Rua Tutóia, 72), em São Paulo (SP). Informações no site www.sbph.org.br . Fonte: E Agora
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