Células-tronco
No 1º Encontro Brasileiro de Células-Tronco Embrionárias Humanas, Stevens
Rehen, da UFRJ, defende a busca de novas metodologias de cultivo de células
e a criação de uma lei de incentivo para a ciência
Inserida em: 7/11/2005
Buscar alternativas para o cultivo e para a diferenciação de células-tronco
embrionárias humanas é um dos grandes desafios para o futuro das pesquisas
com essas células no Brasil.
A afirmação é de Stevens Rehen, presidente da Sociedade Brasileira de
Neurociências e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ),
instituições promotoras do 1º Encontro Brasileiro de Células-Tronco
Embrionárias Humanas, realizado no campus da universidade na sexta-feira
(4/11).
As células-tronco embrionárias, assim como outras células humanas, são
cultivadas em contato com produtos animais, como o soro de bovinos - que é
adicionado ao meio de cultura para manter as células vivas e saudáveis - e
células suporte de camundongos (layers). Porém, desde que alguns estudos
foram publicados apontando para o risco de contaminação causado por esse
tipo de cultivo, tem havido um grande esforço por parte da comunidade
científica mundial pelo cultivo das células-tronco embrionárias humanas em
condições livres do uso de reagentes de origem animal.
"Temos que buscar novas metodologias de cultivo para manter as células
pluripotentes como queremos", disse Rehen. Uma das alternativas para manter
a célula indiferenciada, lembrou o pesquisador, seria o uso de fibroblastos
humanos no lugar de fibroblastos de camundongos.
O cientista, que retornou recentemente ao Brasil depois de cinco anos nos
Estados Unidos, onde trabalhou no Instituto de Pesquisas Scripps, acha que
fatores econômicos têm um peso importante. Ele falou das diversas
alternativas que têm sido usadas para cultivos livres de contaminação,
algumas delas muito caras. "Devemos desenvolver ensaios confiáveis e que
sejam economicamente possíveis", afirmou.
Para ele, apesar de o Brasil ter uma política relacionada às pesquisas com
células-tronco mais permissiva até mesmo que os Estados Unidos, o potencial
biotecnológico brasileiro ainda é pequeno comparado com o norte-americano.
"Com a excelente comunidade científica de que dispomos, se tivéssemos mais
financiamento para a pesquisa, nosso potencial biotecnológico seria bem
melhor. Nos Estados Unidos, o governo não financia esse tipo de pesquisa,
que é feita em institutos de pesquisa privados, o que não ocorre no Brasil.
Deveríamos ter uma lei de incentivo para a ciência, como a cultura tem",
avaliou.
No final do Encontro, Rehen inaugurou a Unidade Experimental de
Células-Tronco Embrionárias Humanas do Departamento de Anatomia da UFRJ, e
planeja para breve o lançamento do Instituto Virtual de Células-Tronco do
Brasil. "Nosso objetivo é treinar cientistas, compartilhar dados e difundir
o conhecimento. Tudo isso será necessário até podermos usar essas células em
doenças humanas", disse.
Fonte: Agência FAPESP - Reportagem Washington Castilhos, 07/11/2005
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