AVC: seqüelas recuperadas com ajuda da acupuntura médica.
10/04/2006 - 15:58
Técnica milenar vem se consolidando como uma especialidade médica moderna e pode ajudar a reduzir os impactos do AVC.
SÃO PAULO - Desenvolvida há milhares de anos pelos orientais e aceita no Ocidente, principalmente a partir da experiência de James Reston, jornalista
do New York Times, que experimentou os efeitos da acupuntura durante uma apendicectomia emergencial em 1971, a acupuntura vem se consolidando como uma
especialidade médica moderna. E como tal, é cada vez mais eficiente em diversos tratamentos.
No Congresso, o interessante e promissor tratamento das patologias neurológicas e seqüelas ocasionadas por acidentes vasculares cardíacos (AVCs), será
tema de um workshop com o dr. Ruy Tanigawa, presidente da Associação Médica Brasileira de Acupuntura (AMBA) e do Congresso.
Acidente Vascular Cerebral (AVC)
O AVC é decorrente de problemas na circulação que levam à interrupção ou extravasamento dos vasos na região cerebral. As funções exercidas pela parte
do cérebro que ficou privada de sangue e outras substâncias são paralisadas ou radicalmente reduzidas, o que ocasiona o desenvolvimento de
deficiências e deformações.
Por estimular diretamente o sistema nervoso, a acupuntura é considerada hoje um dos tratamentos mais eficientes para a reabilitação dos pacientes
acometidos por AVC. A craniopuntura é uma das técnicas mais utilizadas.
Criada há cerca de 30 anos pelo especialista japonês dr. Toshikatsu Yamamoto, trata-se de uma técnica em que os pontos estimulados estão localizados
na cabeça. A Acupuntura Escalpiana - como também é conhecida - se diferencia da vertente chinesa, principalmente, pelo modo como as agulhas são
aplicadas e pela definição das zonas de aplicação.
Na técnica tradicional, as agulhas são colocadas de maneira a atingir a maior área possível. Já na técnica do dr. Yamamoto, elas visam a um ponto
específico e são colocadas precisamente sobre ele. Além disso, na acupuntura chinesa, o tratamento é realizado em função das zonas relacionadas aos
sentidos, à visão e ao equilíbrio, entre outras, enquanto na craniopuntura os locais de aplicação se dividem em quatro grupos de pontos: os básicos,
os sensoriais, os cerebrais e os Y (de Yamamoto), em que cada ponto corresponde a uma parte do corpo, facilitando um tratamento específico e preciso.
O tratamento com acupuntura médica, especialmente se começado de imediato, pode diminuir a dificuldade de movimentação, uma das complicações mais
comuns e desagradáveis do AVC. Em alguns casos, é possível restabelecer quase completamente as funções perdidas.
A acupuntura pode fazer parte de um conjunto de tratamentos composto por especialidades convencionais - como fonoaudiologia, fisioterapia, psicologia
e terapia ocupacional, por exemplo - que visa à reabilitação do paciente, para que ele retorne à sua vida social e resgate qualidade de vida.
Testemunhos de pacientes
Maria Rossignatti Tanclér, 94 anos, sofreu um acidente vascular cerebral no ano passado, que paralisou seus braços e pernas do lado direito. Sua
filha, Luiza Tanclér Greco, conta que a mãe começou o tratamento com craniopuntura em agosto, pouco tempo depois do AVC.
"Hoje, ela já está levantando o braço e mexendo a perna. Ainda não pode andar, mas até dá uns chutes de vez em quando", brinca, entusiasmada com a
melhora da mãe.
Luiza explica, ainda, que o tratamento de Maria não é feito exclusivamente por meio da craniopuntura, ela também toma remédios alopáticos em pequenas
doses e faz fisioterapia. "Mas a acupuntura foi o ponto chave da reabilitação dela", ressalta.
Dona Maria também fez aplicações para curar o lacrimejamento excessivo dos olhos e ainda faz sessões para combater a artrose nas juntas.
Para Luiza, que também se trata com acupuntura, "todos os médicos deveriam saber tratar os pacientes com a técnica, que deveria entrar no currículo".
2º World Congress of Integrated Medical Acupuncture e 10º Congresso Médico Brasileiro de Acupuntura.
Data: 15 a 17 de junho de 2006
Local: Fecomércio
Endereço: Rua Plínio Barreto 285, São Paulo, SP
Informações adicionais e inscrições: (11) 5572.1666.
Fonte: eagora. |