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Um dos seriados de TV mais famosos nos anos 70 tinha como protagonista o ex-astronauta Steve Austin, interpretado pelo ator americano Lee Majors. Depois de sofrer um grave acidente, Austin recebeu implantes que lhe devolveram a visão, um braço e as duas pernas. Os novos órgãos funcionavam melhor que os originais, o que lhe valeu o apelido de 'homem biônico'. O que há 30 anos era ficção hoje faz parte da vida de milhares de pessoas, inclusive no Brasil. Uma nova safra de próteses ultratecnológicas reverte enfermidades que até recentemente não tinham cura ou demandavam recuperação lenta e sofrida. Já é possível devolver até 95% da audição às vítimas dos principais tipos de surdez. Os implantes mais comuns são instalados na cóclea, parte do ouvido que transforma os sinais sonoros em elétricos. O aparelho, conhecido como implante coclear, é composto de uma minúscula unidade interna e outra externa, formada por um minimicrofone e um processador de sinais que captam o som e o transformam em impulsos elétricos. A psicóloga baiana Ângela Maria Simões, de 50 anos, é uma das beneficiadas. Ela sofria de uma doença degenerativa que não podia ser revertida com os aparelhos auditivos convencionais. Em dezembro de 2002, ganhou um implante no ouvido direito e hoje escuta perfeitamente. 'Minha vida profissional estava acabada e, graças ao implante, pude retomá-la', diz. Cerca de 15 mil pessoas em todo o mundo já receberam o ouvido biônico, que também pode ser implantado no tronco cerebral. Os primeiros pacientes desse tipo de prótese - duas americanas portadoras de uma doença genética grave - receberam os dispositivos no início do ano. Os cientistas acreditam que os eletrodos instalados no cérebro melhorem a capacidade de reconhecimento das tonalidades e freqüências de som. O procedimento, no entanto, é muito mais arriscado. 'Por enquanto, 30% das pessoas que recebem os implantes precisam acompanhar o movimento dos lábios de quem fala para entender o que estão ouvindo', afirma Pedro Luiz Mangabeira Albernaz, primeiro médico a fazer um implante coclear no país, em 1977. 'Mesmo que a audição não fique perfeita, a pessoa ganha alguma qualidade de vida', diz. Ossos artificiais
Na ortopedia, os avanços são notáveis. Próteses de joelho e de quadril duram mais de dez anos e substituem o osso com perfeição. O paciente deixa o hospital em dois dias. Há cinco anos, a internação durava uma semana. 'O corte para a colocação dos implantes de quadril diminuiu de 15 para 8 centímetros', explica o ortopedista Reynaldo Jesus-Garcia, da Universidade Federal de São Paulo. O Brasil é um dos centros mais avançados em implantes ortopédicos. 'As próteses brasileiras são exportadas para o mundo todo', diz Jesus-Garcia. Os implantes são mais usados para corrigir defeitos causados por desgaste ósseo, em geral decorrente da idade. Os pacientes costumam ter acima de 60 anos. No caso de pacientes jovens, os médicos preferem recorrer a placas e parafusos. Os materiais mais utilizados são o titânio e o aço inoxidável, mas os alternativos fazem sucesso. Uma pequena empresa localizada em São Carlos, no interior de São Paulo, desenvolveu um polímero à base de óleo de mamona que tem dado bons resultados na fabricação de ossos da mandíbula, da face e do crânio, entre outros. As próteses não provocam rejeição e resistem a impactos. 'Elas têm características físicas e mecânicas iguais às dos ossos', diz o químico Gilberto Orivaldo Chierice, diretor da empresa Poliquil, de Araraquara, São Paulo, que detém a patente do biopolímero. Exportado para a Argentina, o invento aguarda a aprovação das autoridades americanas. Próteses personalizadas substituem ossos com perfeiçãoCerca de 2 mil pessoas já receberam implantes de mamona no Brasil, entre elas o pintor fluminense Marcelo Antonio, de 26 anos, de Rio das Ostras. Depois de sofrer um grave acidente de moto, teve afundamento no crânio, perdeu massa encefálica e ficou cinco dias em coma. 'Fiquei um ano com a cabeça 'amassada', até que recebi o implante no crânio, de cerca de 10 centímetros de diâmetro. Nunca senti dor e foi como se nada tivesse acontecido comigo', conta. Segundo o cirurgião Edelto dos Santos Antunes, que operou Marcelo, a grande vantagem dos implantes de mamona é que eles podem ser pré-moldados e personalizados, tomando a forma da face ou do crânio da pessoa. 'Esculpimos a prótese com o mesmo desenho do osso original e, durante a cirurgia, temos de fazer apenas o encaixe e a colagem', explica. Isso reduz o risco de infecções. ARSENAL DA SAÚDEDispositivos artificiais já implantadosVisão Mandíbula e crânio Ouvido Bacia e joelho Coração O AbioCor bate compassadamente com a ajuda de uma bateria do tamanho de um pager, presa externamente à cintura do paciente. Ela transmite eletricidade através da pele para a bomba artificial implantada no tórax, ao lado do músculo cardíaco. O protótipo é formado por dois ventrículos artificiais com válvulas e um sistema de bomba hidráulica a motor. Quando o coração artificial se mostrar plenamente confiável, poderá beneficiar milhares de pacientes. Olho biônico Dispositivos experimentais começam a restaurar a visão Outra equipe de pesquisadores americanos investe no desenvolvimento de um dispositivo batizado de Artificial Retina Component Chip (ARCC). Ultrafino, é instalado sobre a retina e permite que a luz o atravesse e atinja os fotossensores colocados na parte de trás. O artefato funciona com a ajuda de um segundo aparelhinho, instalado num par de óculos especiais, para fornecer energia ao chip implantado. Os pacientes que receberam o dispositivo voltaram a enxergar imagens do tamanho de 10 por 10 pixels - a dimensão de uma letra desta página. Apesar dos resultados ainda limitados, as próteses oculares devolvem a milhões de deficientes visuais a esperança de um dia voltar a enxergar. O FUTURO PROMETEOs implantes em desenvolvimento
Língua e nariz sintéticos Músculo biônico Pâncreas artificial Braço eletrônico
Fonte: Revista Época
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