Site ajuda na auto-estima de amputados.
Ele era eletricista e, durante a rotina do trabalho, no
inverno de 1997, levou um choque de 13.800V, quando fazia ajustes em um poste de alta tensão.
Para não perder a vida, o eletricista teve os braços amputados. Eu estava
inconsciente e não sabia o que estava acontecendo. A autorização para fazer a amputação
ficou para os meus pais. O que não deve ter sido muito fácil para eles, conta Flávio
Lucio Peralta, hoje com 35 anos. Peralta passou por diversas cirurgias, fez implantes e
usa próteses. Mais que recuperar os movimentos dos braços, o ex-eletricista recuperou a
auto-estima e, hoje, ajuda pessoas com problemas semelhantes. Ele mantém o site Amputados
Vencedores.
Informações sobre tratamentos de saúde, lançamento de
produtos, dicas para melhorar a qualidade de vida e notícias gerais e sobre descobertas científicas. Até aí nada de mais. Ocorre que essa
variedade de temas faz parte de um site pouco comum, direcionado para pessoas que tiveram
algum membro do corpo amputado.
Criado pelo ex-eletricista Flavio Lúcio Peralta (35 anos), o
site Amputados Vencedores (www.amputadosvencedores.com.br) ajuda pessoas com deficiências a
reconstruir suas vidas, elevando a auto-estima. Na seção atletas amputados, o
criador do site, por exemplo, relaciona fotos de modalidades diferentes mostrando que as
pessoas com deficiência podem vencer em suas carreiras profissionais. Segundo Flávio
Peralta, o endereço eletrônico recebe em média de 1.500 visitas por semana.
Ele disponibiliza no site um acervo com depoimentos de pessoas
que são deficientes físicas e estão vencendo as dificuldades. São testemunhos como
o do ex-campeão mundial de iatismo Lass Grael que teve a perna amputada após ter sido
atingido por uma lancha quando velejava, e de muitos outros vencedores que têm o mesmo
problema, explicou Flávio.
O site têm informações sobre legislação que garantem os
direitos e facilitam a vida da pessoa com deficiência e como exigir a efetivação dos
benefícios previstos em leis como, por exemplo, entradas grátis em eventos culturais e
esportivos. A produção do site ainda destina seções para dicas, fotos de próteses,
reportagens, descobertas cientificas que ajudam pessoas com o problema.
A proposta de criação do site partiu de Flávio que, durante o
trabalho como eletricista, levou um choque de 13.800V, quando fazia ajustes em um poste de
alta tensão. No dia 21 de agosto de 1997, Flávio teve os braços amputados para que os médicos
pudessem salvar sua vida. Eu estava inconsciente e não sabia o que estava acontecendo.
A autorização para fazer a amputação ficou para os meus pais. O que não deve ter sido
muito fácil para eles, escreveu Flávio Peralta para o jornal ComTexto.
O ex-eletricista ficou internado por vários meses, inclusive em
unidade de terapia intensiva (UTI). Segundo ele, após a amputação dos braços e a
preparação para implante de prótese, com inclusive cirurgias de enxerto, sofreu choque
anafilático voltando para a UTI. Ao todo, Flávio Peraltou passou mais de 11 cirurgias.
Sete anos depois do acidente Flávio, segundo ele próprio, vive
uma vida feliz e procura ajudar outras pessoas que passam ou passaram por problemas
parecidos. Hoje está casado com a assistente social Jane Cristina (36) e o primeiro filho
do casal, Vinícius, vai completar um ano em agosto próximo.
Nos tratamentos, incluindo as cirurgias e implante de próteses,
Flávio Peralta investiu cerca US$ 14 mil. Elas são caras, mas as pessoas que não
dispõem desta quantia podem adquirir pelo SUS (Sistema Único de Saúde). O site têm
todas as informações para os procedimentos que devem ser feitos para a aquisição das
próteses, afirmou.
Flávio disse que a adaptação no braço esquerdo foi melhor
pelo fato da amputação ter sido menor do que a realizada no braço direito. As próteses
não podem substituir os braços, a ciência não foi tão longe ainda, mas são bem úteis
e me auxiliam nas tarefas diárias, explicou.
Por mês, ele afirma receber cerca de 150 mensagens eletrônicas
de internautas de todo o Brasil. Geralmente, são pessoas que buscam por algum tipo de
ajuda. Com o auxilio dos braços mecânicos, é o próprio Flávio quem responde a todos
os e-mails. Segundo ele, as respostas são de conforto e de esperança.
Desde que sofreu o acidente, Flávio afirma que tinha como
objetivo fazer algo para ajudar as pessoas. Ele disse haver muitas pessoas que não se
conformam após ter algum membro do corpo amputado. Mas com o tempo acabam aceitando a
nova situação. O meu objetivo é mostrar que as pessoas podem e devem reconstruir
suas vidas, diz.
A cada três meses ele viaja para Sorocaba (SP) para fazer
fisioterapia. Descobriu coisas novas como ir ao estádio de futebol, lidar com o
computador que fica conectado quase o dia todo à internet que é sua ferramenta de
trabalho. A casa onde mora é quase toda adaptada por causa da deficiência. Tenho um
apoio grande de minha família e amigos e depois de ter passado por uma experiência dessa
dou muito mais valor à vida.
Autor: André
Luiz (14/06/2004).
Fonte: Jornal Express.
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