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Portadores de deficiência ganham respeito na gestão Marta.

16/09/2004
  

Foto: Divulgação
Foto - Luciana Scotti
Luciana, vítima de trombose cerebral, utiliza
o Atende três vezes por semana  para fazer
doutorado na USP e fisioterapia

Luciana Scotti tinha 22 anos quando sentiu uma forte tontura e começou a ter convulsões. Levada ao hospital, Luciana foi diagnosticada com trombose cerebral. Ficou em coma por dois meses, foi submetida a duas cirurgias no cérebro e quando acordou estava sem movimentos e sem fala. Seu cérebro, no entanto, estava intacto.

Hoje, aos 30 anos, Luciana continua sem se mover ou falar, mas sua mente não pára. Formada em farmácia pela USP, ela já defendeu tese e está terminando doutorado em Cosmetologia também na USP. Dar continuidade à sua vida acadêmica e profissional - apesar de todas as adversidades - foi uma opção de vida.

“Eu poderia dizer: minha vida acabou ali! Poderia lhe contar com detalhes como foi difícil e doloroso superar este choque e me readaptar a essa nova vida. Poderia também escrever inúmeras linhas relatando penosamente todas as coisas que deixei de fazer.Mas acho que todos nós possuímos um fato triste para contar”, escreveu ela, que mantém o movimento de um dedo, com o qual se comunica com o mundo via Internet e computador, escreve seus trabalhos e livros (ela têm três já publicados) e responde a entrevistas.

As atividades de Luciana – que vai à fisioterapia uma vez por semana e à USP duas vezes – são possíveis e facilitadas em razão do Atende, serviço da Prefeitura de São Paulo que dá transporte gratuito a pessoas com problemas de mobilidade. “Estava na lista de espera e só fui incluída no serviço na gestão Marta”, conta.

Usuários passaram de 300 para 2.451

Foto: Fernando Cavalcanti
Imagem do veículo da ATENDE
Com Marta, usuários passaram de 300 para 2.451
  

O Atende, serviço da SPTrans, foi criado em 1996, mas um ano depois teve seu credenciamento interrompido, tornando a vida do deficiente ainda mais difícil. Assim que assumiu a Prefeitura, Marta Suplicy investiu no serviço e aumentou em 717% seu número de usuários.

Até 2001, havia apenas 300 pessoas em São Paulo que contavam com o serviço do Atende, que dispunha de 100 veículos. Hoje, são 2.451 usuários e 268 vans específicas para transportar cadeiras de rodas. “Não sei como faria tudo que tenho para fazer se não contasse com isso”, escreveu Luciana.

A farmacêutica conta que se não fosse o atendimento, não teria como continuar seus tratamentos e sua vida profissional. “Antes era muito complicado. Meu pai e meu irmão tinham de me levar para cima e para baixo. Meu irmão hoje faz mestrado e tem muitas atividades e meu pai já não dirige mais. O Atende foi indispensável para meus progressos pessoais”, conta ela.

Veículos confortáveis para usuários e acompanhantes

  

Foto: Fernando Cavalcanti
Elevador do veículo da ATENDE
Veículos do Atende têm plataforma que ergue a cadeira de
rodas, evitando assim que o paciente tenha de ser tirado
da cadeira: conforto para quem tem problemas de locomoção

O Atende funciona da seguinte forma: a pessoa que necessita do atendimento se cadastra e pode usar o transporte diariamente, se for necessário, bastando agendar previamente o serviço.

Os veículos do Atende são especialmente adaptados  e têm uma plataforma que ergue a cadeira  de rodas, evitando assim que o paciente tenha de ser tirado da cadeira, um conforto reconhecido apenas por quem tem problemas de locomoção.

“Quando não usava o atende, meu irmão ou meu pai tinham de me pegar no colo e colocar no carro ou no táxi. Era muito desconfortável”, esclarece Luciana.

Os veículos do Atende contam com dois boxes para cadeiras de rodas fixas e mais seis assentos para usuários de cadeiras dobráveis ou acompanhantes. Dentro do carro, a cadeira é presa ao chão e o usuário utiliza cintos de segurança especial. Além disso, há poltronas seguras também para os acompanhantes.

Sem Asas ao Amanhecer

Foto:Divulgação
Capa do livro "A Doce Sinfonia do Seu Silêncio"
Capa de um dos livros de Luciana Scotti

  
Luciana Scotti já escreveu e publicou três livros: “Sem Asas ao Amanhecer”, “A Doce Sinfonia de Seu Silêncio” e “Envelhecimento Cutâneo à Luz da Cosmetologia”, todos da editora O Nome da Rosa.

Os dois primeiros, que trazem relatos de suas dificuldades depois do acidente, são best seller e “Sem Asas ao Amanhecer” já está na décima edição. “Enquanto chorava e relembrava o passado, fui escrevendo meus pensamentos. Publicar o primeiro livro não foi simples porque não tinha movimentos, nem fala, apenas vontade e o sonho”.

A terceira publicação é resultado de sua tese de mestrado na USP sobre cosmetologia, sendo voltado aos profissionais da área. “Odeio ficar sem fazer nada, voltei a estudar porque sou muito ativa”. Sobre as ações do atual governo para pessoas com necessidades especiais, Luciana se diz satisfeita. “O serviço é extremamente importante e garanti-lo para que as pessoas possam estudar e fazer tratamento é fundamental”.
Mais informações sobre o Atende podem ser obtidas pelo telefone 0800-155234.
Larissa C. Squeff, da Redação
Conheça a página de Luciana Scotti.
Fonte: www.martaprefeita.com.br